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sábado, 9 de abril de 2011

Cinema - Filme #9 ( 21 Gramas )



Um homem está à espera de um transplante de coração para continuar vivendo. Uma esposa dedicada sofre a perda do marido e suas filhas. Um ex-presidiário que tornou-se um fanático religioso com uma grande culpa em suas costas. Esse é o enredo geral de 21 Gramas, lançado em 2003 e dirigido por Alejandro González Iñarritu, o filme trata sobre pessoas que não se conhecem, mas em algum momento suas vidas são ligadas por algum acontecimento aparentemente isolado. Aliás, esse método de contar histórias é a característica do diretor, que também é o responsável por "Babel" e "Amores Brutos". 

Vale fazer um comentário: apesar de alguns creditarem "Crash - No Limite" do Alejandro, visto que a forma do filme é similar aos que ele dirigiu, o diretor é na verdade Paul Haggis, mas vale esse destaque já que "Crash" é um ótimo título para quem gosta desse gênero. 

A estrutura de 21 Gramas pode fazer com que alguns pensem que o filme é confuso e enfadonho. Talvez por não ser contado de modo linear e os flashes - que compõe o filme todo - indicarem os acontecimentos passados, presentes e futuros de uma forma que parece quase "aleatória" e virtual. É do tipo de filme que prende, emociona e nos faz pensar. Os personagens não nos são apresentados com muitos detalhes de suas personalidades, apenas o suficiente para que nós tiremos nossas conclusões. O diretor não diz se o que acontece é certo ou errado, apenas conta os fatos. Vemos que por trás das boas aparências existem pessoas errantes, não importa seu grau de instrução e classe social.

É interessante imaginar que um simples ato, mesmo que não seja tão grave e evidente quanto o que é apresentado no filme, possa mudar a vida não só de quem o causou, mas de várias outras pessoas. Isso é evidente no gênero de filme que González se propõe. A ironia em colocar em determinada cena pessoas envolvidas na situação, mas que não se conhecem - e talvez nunca se conheçam - é genial e feita de forma sutil. Isso é o chamado Efeito Borboleta, presente na Teoria do Caos e em vários títulos cinematográficos. 

21 Gramas acredita-se que é o peso da nossa alma, é quanto perdemos de massa ao morrermos. Mas quanto vale uma alma? Quanto pesa uma vida? Essas são questões que Iñarritu nos faz e são deixadas para refletirmos. 

Com atuações emocionantes de Sean Penn("Sobre Meninos e Lobos"), Benicio Del Toro ("Os Suspeitos") e Naomi Watts ("Violência Gratuita"), 21 Gramas é um título que deve ser visto por quem gosta de cinema e uma história envolvente. 


Marcou:
* O filme todo deixa sua marca, sua filosofia e crítica. 
* A atuação de Naomi Watts, que excede as expectativas.

Título Original: 21 Grams
Direção: Alejandro González Iñarritu
Duração aproximada: 115 min
Trailer:



terça-feira, 29 de março de 2011

Vamos falar de política ? #1 - Cidinha Campos




Fiquei entusiasmado - talvez mais do que deveria - ao ver um video da Deputada Cidinha Campos, do PDT. A revolta e indignação de Cidinha faz com que ainda possamos acreditar que aquele lixo que apodrece o Brasil, esparramado em Brasilia, possa ser limpo.

No video a Deputada diz que quer falar sobre os que "mamam", não das crianças que precisam de leite,   mas sim dos calhordas que compõe a Câmara, principalmente do Deputado José Nader, já acusado de formação de quadrilha e que pretende ingressar no Tribunal de Contas com todo o cinismo presente nas figuras políticas.

Interessante ver - e ouvir - que o Presidente da Câmara e alguns outros boçais presentes riem da Deputada, fazem piadinhas, demonstrando o quanto se preocupam com o povo, visto que Cidinha resume boa parte da revolta da sociedade em seu discurso.

Cidinha Campos é uma das poucas políticas que possuem coragem e ética, num país infestado de gente ignorante que coloca medíocres para os governarem.

O site da Deputada Cidinha Campos possui várias informações interessantes sobre seus projetos. Acreditar em tudo, jamais; mas conhecer alguém assim numa politicagem podre como a do Brasil vale a pena.

O video que vale a pena ser visto:




sábado, 26 de março de 2011

Hora do Planeta - Blá Blá Blá



Hoje, dia 26 de março, às 20:30 muitas pessoas irão desligar todas as luzes numa dessas atitudes para "inglês ver". Chamam isso de "A Hora do Planeta". É um ato simbólico para demonstrarem a preocupação com o aquecimento global e fazer com que seus egos inflem, simulando uma pseudo preocupação ecológica com o simples fato de desligarem as luzes durante 60 minutos num único dia. Depois das 21:30 todos podem ligar novamente, ao mesmo tempo, o rádio, a tv, computador, entrar no msn e mostrarem o quanto se importaram com o futuro do planeta saudando seus amigos que também permaneceram no escuro, e até mesmo pode rolar uma competição pra ver quem ficou mais tempo com as luzes desligadas. Pena que essas pessoas não podem tirar fotos para colocar no orkut e mostrar para seus amigos. 

Só pra não passar batido, o ano tem 8766 horas. Uma única horinha num ato simbólico isolado não muda nada. O que realmente pode mudar é tomarem consciência do todo, não do parcial. E meu computador continuará ligado, meu gerenciador de downloads baixando filmes, ainda mais num horário em que a banda do speedy estará nas alturas. xD

E quem aderir ficará feliz: o horário não irá impedir que assistam à novela e Big Brother.

Abaixo o video oficial da Hora do Planeta. A música pelo menos é boa. 




domingo, 8 de agosto de 2010

"Eleições 2010" - Mais uma piada com a cara do povo!




No final de 2009 o TSE ( Tribunal Superior Eleitoral ) aprovou a resolução 9.504/97, que proibe “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem, ridicularizem candidato, partido político ou coligação, bem como produzir ou veicular programa com esse efeito”. Ou seja, não teremos mais figuras humorísticas nos programas de TV ( em alguns é até muito bom, serei sincero ). "Casseta & Planeta", humorístico semanal da Rede Globo de TeleAlienação, é conhecido por parodiar personagens políticos famosos, mas esse ano guardaram as fantasias e terão que encontrar outras formas de entreter seu público seleto. Outros como "CQC" e "Pânico", da Bandeirantes e RedeTV!, respectivamente, também não poderão zombar dos leais e sérios políticos, que não sabem fazer outra coisa a não ser trabalhar pelo nosso Brasil e, justamente por isso, não tem que aguentar esses gracejos que visam apenas Ibope.

Ironias à parte, é complicado aceitar esse tipo de atitude de um país que já sofreu com ditadura e impedimento da liberdade de expressão. Que esse obstáculo ainda caminha entre nós é fato, mas de forma tão descarada como nessa resolução é realmente um tapa na cara do brasileiro. Se os políticos fossem pessoas sérias que buscassem apenas o bem estar do povo que o elege, eu compreenderia ( mas não concordaria ) que esse tipo de empecilho à mídia teria algum sentido. Mas quando percebo que qualquer boçal semi alfabetizado que, em algum momento da sua vida pouco interessante teve a lente de alguma câmera focada em sua CARA (ou peitos, bunda e afins... ), e que lhe rendeu alguns dias de fama, resolve se candidatar à algum cargo público e sua candidatura é aceita, noto que realmente vivo num país deplorável. 

Pessoas como Tiririca, Sérgio Malandro ( esse já tem o adjetivo no nome ) e as mulheres - fruta possueirem candidatura até consigo me aceitar. Mas pensar que provavelmente serão eleitos é o que fo** com meus neurônios. Frank Aguiar e Clodovil são exemplos pra provar que isso acontece sim. 

Alguns candidatos dessa eleição:

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Não dê esse prazer à sociedade


Sexo, masturbação, orgasmo, prazer... Simples palavras, mas que para ouvidos de pessoas mais conservadoras podem soar como os piores dos insultos. Sinto realmente pelos que possuem pensamentos tão insipientes, principalmente pelo agravante de vivermos num mundo onde toda informação pode ser obtida com alguns cliques, em qualquer simples computador. Lógico que há aqueles que se denominam assexuais, não sentem simpatia pelo sexo e qualquer coisa que derive dele. Mas até mesmo esses não sofrem dos males da ignorância, pois para chegar à conclusão que não precisam desse que é um dos atos mais ( se não for o mais) praticados na sociedade, o assexual precisa ter se informado antes.

Quando somos pequenos, geralmente os pais ensinam o básico para nos diferenciarmos do outro sexo, mostram que menino tem "torneirinha" e menina não. Meninos fazem "pipi" de pé, meninas sentadas... Mas crescemos e nossa curiosidade aumenta, vemos que o corpo do sexo oposto é diferente do nosso e é normal a vontade de saber a razão. Já adolescentes (na minha época era na adolescência, atualmente muito antes já acontece) a pessoa conhece seu prórpio corpo e quer conhecer o do sexo oposto. Mas aí entra a sociedade fodendo tudo e no sentido não-literal.

O homem é estimulado e encorajado à masturbação, mas a menina não. Criada para ser recatada e inibir seus estímulos, as garotas não descobrem sobre seus próprios corpos e quando tem contato fisico com alguém do sexo masculino não sabem como agir, não sabem se o que sentem é normal, pois mal se conhecem. O que fazem ? Fingem prazer porque é assim que foram ensinadas. Não aprendem a se tocar e conhecer o próprio corpo para que eventualmente direcionem o homem numa transa. Quando aproximam-se de um orgasmo sentem-se incomodadas por não saberem do que se trata e bloqueiam as sensações, provavelmente até fugindo. Quem perde com isso ? Todo mundo! O homem perde por acreditar que a mulher gozou; a mulher perde por fingir que gozou.

Muitos questionam a dificuldade da mulher chegar ao orgasmo, mas acredito ser mito. A dificuldade está na cabeça das mulheres, criadas na sociedade que prega "dê prazer, finja prazer", mas acabam não se preocupando com a própria satisfação. Sentem-se temerosas de se entregarem, dizerem para o homem o que gostam, como gostam e perderem a imagem que supostamente devem passar: a de simples submissão. Infelizmente um dos vários pensamentos arcaicos que perduram até hoje. O prazer da sociedade é querer que ninguém tenha prazer, tudo será sempre errado e incorreto se ouvirmos o que a voz burra do povo tem a dizer. Hipocrisia apenas, às suas costas a sociedade goza da sua cara. Por isso, aproveitando parte da única frase útil que Marta Suplicy disse: "masturbe-se, conheça a si, relaxe e goze". Sem tabus...

Video - documentário que trata sobre orgasmo e alguns tabus de forma natural, como realmente deveria ser.

                

domingo, 1 de agosto de 2010

Datena - Falta profissionalismo e respeito


Gostaria de evitar ao máximo tratar sobre religiões e fé em divindades no blog, mas há um acontecimento que seria interessante ser comentado (apesar de já estar sendo bastante discutido em muitos lugares) e por ser ateu me sinto na obrigação de fazer minha crítica. Datena, apresentador de "alto garbo" de um programa "jornalístico" de "grande utilidade" à TV brasileira, fez comentários estúpidos (o que não é novidade), mas dessa vez ofendo e incitando violência contra ateus. Em programa transmitido dia 27 de julho, o "poço de sabedoria" diz, entre várias outras frases ofensivas: “Mas quero mostrar também que tem gente que não acredita em deus. É por isso que o mundo está assim. Essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo o mais, entendeu como é que é o negócio? São os caras do mal, entendeu?”. Nunca soube que algum ateu declarou guerra ou matou alguém. Já quem professa religiões...

Concordo que cada pessoa tem sua opinião, mas o erro cometido pelo apresentador é incitar violência contra quem não professa da mesma opção religiosa dele e da grande parte dos telespectadores que o assistem. Quem acompanha o noticioso geralmente são pessoas simples e de fácil manipulação. É a massa, a classe que precisa que alguém dê corda para que façam algo diferente no seu cotidiano ou continuam estagnados. Enfim, é um programa com conteúdo fraco, mas é infleizmente muito visto por, geralmente, pessoas que gostam de ver desgraça alheia, sem se importar com noticias realmente importantes. Quando um apresentador pede para as pessoas que o acompanham darem "uma lavada" em quem não crê em deus, o assunto fica sério. Sim, foi exatamente isso que Datena disse: “O sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites. É por isso que a gente tem esses crimes aí. Agora, vocês que estão do lado de deus, né, como eu, como eu, podiam dar uma lavada nesses caras que não acreditam em deus.

Não questiono, de forma alguma, crença em divindades ou religiões nesse post, apenas questiono até quando pessoas como o senhor Datena continuarão dizendo asneiras em meios de comunicação, incitando ódio contra grupos ( Datena já fez comentários ofensivos à homossexuais, outras religiões, profissões e classes sociais ) e continuar impunes.

Vale ressaltar que ateu é quem não crê e/ou ignora qualquer tipo de divindade. Se você não concorda ou não entende esse tipo de pensamento, basta imaginar o tipo de valor que você dá aos deuses de outras culturas, deuses em que você não acredita, e entenderá a importância dada pelo ateu à todas as divindades. Mas incitar ódio contra quem professa uma fé nunca foi atitude ateísta, Senhor Datena. Se a única coisa que faz com que você não seja um assassino é a crença e o medo que tem no deus que crê, então há sérios problemas, sua moral está seriamente afetada.

Não encontrei o video sobre esse incidente, mas nesse dá pra perceber a falta de profissinalismo já tão comum. O entrevistado, injuriado com as perguntas estúpidas, abandona o apresentador que resmunga tal qual uma criança quando lhe é tirado o doce.   


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cinema - Filme #7 ( Shrek Para Sempre )


Shrek Para Sempre  é o titulo do 4ª filme da série do ogro verde. Há, além desses, 2 outros curtas que renderam pouco sucesso, "Shrek de Natal" e "Shrek 3D". Shrek Para Sempre está em exibição nos cinemas nacionais e só pra não ficar por fora da moda, também possui tecnologia para ser visto em 3ª dimensão. Assisti de forma comum, sem os famigerados óculos bicolores, necessários para essa visualização tão comentada e desnecessária no cinema atual. 

Nesse filme Shrek está casado com Fiona e juntos tem três filhos, mas o ogro está cansado e infeliz com a vida que tem. Após um impulso de ira, assina um contrato com o duende Rumplestiltskin para ter durante um dia a vida antiga de quando as pessoas o temiam e, em troca, daria um dia da sua vida, um dia que não se lembrasse.

Após assinar o pacto, Shrek se vê num mundo paralelo, onde os ogros são seres caçados, Fiona e seus amigos não o conhecem e o reino de Tão Tão Distante se tornou um lugar melancólico com o novo e tirano rei. Shrek, então, precisa quebrar o pacto e retomar sua vida antes que o dia termine ou tudo continuará como está para sempre.

Ao que tudo indica Shrek Para Sempre será o último filme contando a saga do ogro e seus amigos, mas é o melhor a ser feito. Apesar do nivel gráfico desde o primeiro filme, em 2001, ter melhorado muito, as piadas tem se tornado cada vez mais falhas e a história adulta e moralista demais para um filme intitulado infantil. Shrek é um dos marcos nos filmes de animação, um dos primeiros a introduzir a cultura pop (músicas, piadas, objetos e indicações do mundo comtemporâneo) nos filmes infantis, mas de pueril sobraram apenas os traços e o gênero de classificação.

Nesse último filme o enredo deixa uma moral muito forte que servirá para vários adultos e que algumas crianças talvez não compreenderão. Shrek é pai de familia que está cansado e em certos momentos arrependido do destino que seguiu, que sente profunda nostalgia pela época que era "livre", que podia "fazer o que bem entendia, quando queria", segundo palavras do próprio protagonista numa discussão com Fiona. Piadas com sentido homossexual e humor negro continuam presentes, agora com conotações menos sutis que nos títulos anteriores.

Com direção de Mike Mitchell ("Gigolô por Acidente"), Shrek ainda é um bom entretenimento para adultos e crianças. Principalmente para adultos, vale ressaltar. 

Marcou:
* A moral sobre o que representamos e os valores ao que/à quem temos ao nosso lado.
* A companhia da minha namorada e da cunhada. :)


Título Original: Shrek Forever After
Direção: Mike Mitchell
Duração aproximada: 93 min
Trailer:

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cinema - Filme #6 ( 5 Frações de Uma Quase História )

 


5 Frações de Uma Quase História, filme nacional dirigido por 6 diretores, traz cinco histórias ligadas entre si por alguns poucos detalhes. Desprentencioso, o filme consegue prender o telespectador e trazer com muita qualidade um gênero de filme ainda pouco conhecido e feito no país, o filme por capítulos ou histórias distintas.

A primeira, "Título Provisório", é dirigida por Cristiano Abud e conta a história de Carlos, um fotógrafo obcecado por pés femininos, seu desejo e busca para tirar fotografias e criar uma bela exposição. Os atores são muito bons, mas o foco é em Leonardo Medeiros, que transmite muito bem a fixação do personagem por essa parte em particular do corpo das mulheres.

Em seguida, com direção de Criss Azzi, "Qualquer vôo" conta sobre um homem que passa grande parte do tempo em frente à televisão e transfere sua vida para a dos personagens dos programas que assiste, confundindo realidade e fantasia. É a história mais surreal e não agrada, atuações pouco interessantes.

Armando Mendz dirige a terceira história, "A Liberdade de Akim". Akim ( Nivaldo Pedrosa ) é um funcionário público do Tribunal e sua vida é pouco interessante. Não tem familia, amigos nem mulheres. Numa madrugada recebe uma ligação e a chance de mudar de vida: ganharia uma boa quantia em dinheiro se assumisse um crime cometido pelo Juiz ( Jece Valadão ).

"O Magarefe" é uma história interessante, mas tem as atuações  mais fracas. A direção dupla de Lucas Gontijo e Thales Bahia também não rendeu tanto quanto as outras. Conta sobre Antônio ( Cláudio Jaborandy ),funcionário de uma matadouro que sente que seu casamento sofreu mudanças. Seguindo a esposa descobre a traição e vinga-se cruelmente.

A última história coloca Cynthia Falabella no papel de Lúcia, uma secretária desiludida com os homens, mas que sonha se casar. Conhece Beto ( Murilo Grossi ) por um programa de rádio e decidem encontra-se num parque. Quando Beto descobre que Lúcia não é o tipo de mulher que deseja, e ela que Beto só quer diversão sem compromisso, a doce e meiga jovem transforma-se em seu oposto. O toque de humor em "Zyr 145", dirigida por Guilherme Fiúza, fecha a trama em ótima forma.

5 Frações de uma quase história é filme pra quem gosta de cinema e crônicas. Não deve ser visto em familia, mas deve ser visto, isso não há dúvida. Mais um degrau que o cinema brasileiro sobe e mais um balde de água pra lavar a sujeira que o pornô chanchada deixou e que é grande responsavel por muitos virarem a cara para o cinema nacional.

Título Original: 5 Frações de Uma Quase História
Direção: Criss Azzi, Armando Mendz, Cristiano Abud, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo e Thales Bahia
Duração aproximada: 96 min
Trailer:

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cinema - Filme #5 ( Violência Gratuita )



Quando uma familia comum resolve passar um feriado numa casa afastada da cidade e com poucos vizinhos, jamais imaginaria que suas vidas se transformariam num jogo sádico e violento. George Farber( Tim Roth, de "Pulp Fiction" ) e Anna ( Naomi Watts, de "21 Gramas" ) decidem passar um final de semana numa casa de veraneio próxima à um lago, junto de seu filho, Georgie, quando são atormentados por dois jovens desequilibrados.

George convida um amigo, Fred Thompson, de uma casa próxima para ajudá-lo a colocar o barco na água. Junto deles vai um jovem, Paul, apresentado como sobrinho desse amigo, mas é possivel sentir a tensão  em Fred quando apresenta Paul, deixando o telespectador sentir que há algo errado. Enquanto Paul e George estão no lago, Peter, outro jovem, bate à casa e pede ovos para Anna. Após alguns diálogos ela se desentende com o jovem e Paul também aparece. George discute com os rapazes e aí que o filme realmente começa.

Com direção de Michael Haneke, Violência Gratuita traz novamente a visão do diretor sobre o mundo violento e a fragilidade do ser humano. Em 1997, Haneke já havia filmado na Áustria "Funny Games", mas dez anos depois resolveu recriar o clima violento com aspectos tão similares, que muitos dizem até mesmo algumas cenas são idênticas. Michael diz que a refilmagem do filme só mostra o quanto esse assunto é atual e a violência não mudou. Pelo contrário, a sociedade torna-se a cada dia mais brutal, sanguinária, insana e vil, tudo que Funny Games U.S. é nos seus 107 minutos.

Peter e Paul, dois jovens de boa aparência e ao que tudo indica boas familias, fazem os Farber prisioneiros e decidem que irão jogar. Há uma aposta feita pelos sequestradores à familia: até o amanhecer os três estarão mortos, aceitando ou não o jogo. Em Violência Gratuita vemos o quão demente e desumano alguém pode ser, mas surpreender-se com as cenas do filme é não enxergar o mundo em que vive, ou fingir não ver, tornando-se cúmplice de tudo que o cerca.

O diretor desenvolve a idéia que à partir do momento em que a familia é torturada o espectador sente-se angustiado, mas delicia-se, esperando por cada novo suplício a que são submetidos, chegando até mesmo à torcer por um final onde os jovens sejam punidos e/ou mortos, justificando a idéia de ver George e familia sofrerem durante toda uma noite.
 
Marcou:
* A trilha sonora constrastante
* A educação e tato com que Peter e Paul tratam suas vitimas, indicando que nem toda violência parte do pressuposto da ignorância
* A cena do controle - remoto, que não ousarei citar aqui por se tratar de spoiler

Título Original: Funny Games U.S.
Direção: Michael Haneke
Duração aproximada: 107 min
Trailer:

 

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cinema - Filme #4 ( Pecados Íntimos )



Sarah Pierce ( Kate Winslet) é casada com Richard ( Gregg Edelman ). Juntos tem uma filha e vivem um casamento que esfriou. Brad Adamson ( Patrick Wilson ) é pai de um garoto e casado com Kathy (Jennifer Connelly ), que é quem cuida da parte financeira da casa, enquanto seu marido estuda para ser aprovado na Ordem dos Advogados e educa o filho, inclusive levando – o para brincar num parque infantil. Nesse parque há outras mães que nutrem grande admiração sexual pelo único pai que ali frequenta. Sarah, numa aposta, aproxima-se de Brad. Juntos passam a nutrir um sentimento confuso e alguns pecados fazem com que se libertem de suas realidades. Para Richard e Kathy seus casamentos são perfeitos, mas Brad e Sarah sentem-se sozinhos e procuram um no outro o vazio deixado pelos seus conjuges.

Paralelo á isso, o enredo traz também Ronnie ( Jackie E. Haley ), um detento em condicional, acusado de pedofilia, que mora no mesmo bairro na casa da mãe. Proibido de se aproximar de locais frequentados por crianças, Ronnie sofre os ataques da população e com a criação da Associação dos Pais Preocupados, liderada por um policial reformado.

Pecados Íntimos mostra os sentimentos crus de pessoas comuns. Vontades enraizadas no ser humano, mascaradas pra poder conviver em grupo sem discriminação, mas que vem à tona vez ou outra. Traz em sua trama sentimentos de forma transparente, tal qual convivemos diariamente e às vezes não enxergamos. São pessoas infelizes, presas à uma vida, procurando encontrar sentimentos novos que dêem sentido ao que fazem.

Winslet ( “O Leitor” ) não é uma atriz que me chama a atenção, esqueço facilmente que atua em filmes que gosto, mas me lembro de suas personagens. Em Pecados Íntimos não poderia ser diferente, mas outra atriz não faria melhor seu papel. Uma pena Connelly ( “Requiém para Um Sonho” ) aparecer tão pouco, mas suas cenas são interessantes, gosto de sua beleza e falta de expressões. Wilson e Jackie E. Haley ( ambos atuaram em “Watchmen”)  fazem muito bem seus papéis, transmitem exatamente o que se espera dos seus personagens, mas Haley está formidável, quase irreconhecivel para os admiradores de "Rorschach", seu personagem em “Watchmen”.

Marcou:
* As narrações feitas durante o filme.
* A frase “O passado não podemos mudar, mas o futuro é outra história. E precisa começar em algum lugar”
* E explicação sobre “Madame Bovary” por Sarah no Clube do Livro.

Título Original: Little Children
Direção: Todd Field
Duração aproximada: 135 min
Trailer: